Mulheres pelo mundo

e por um novo mundo

O projeto “Mulheres pelo mundo e por um Novo Mundo” tem por objetivo te levar conhecer  projetos e ações desenvolvidas por mulheres em diferentes territórios e culturas, que visam, assim como Íntimo Colorido, emancipar e dar voz as mulheres em vulnerabilidade social. Atuando na construção de uma sociedade mais colaborativa.

                  

MARROCOS

AFER - Association des Femmes et Entants  Ruraux

​                              Mékenes

Marrocos é considerado um país pobre, de acentuada desigualdade social. Quase metade da população ainda vive e trabalha no campo, onde está uma das suas maiores riquezas: o óleo de argan, utilizado para cozinhar, hidratar o cabelo e rejuvenescer a pele. O trabalho de produção do óleo é feita de forma artesanal e o Íntimo Colorido foi conhecer no Marrocos uma Cooperativa que trabalha com mulheres que produzem esse óleo.

 

Nessa oportunidade conhecemos Khadija (56anos), Malika (38anos), Zahra (34anos) e Lahna (50anos). Essas mulheres trabalham uma média de 8horas por dia e levam em média 3 dias para produzirem 1kg do extrato do óleo, para cada 1kg elas recebem em média R$12,00. Toda a produção é vendida nas pequenas lojas das Cooperativas. É um trabalho bastante repetitivo e exaustivo, mas que acaba sendo a única oportunidade de trabalho que existe para muitas mulheres em determinadas regiões. 

Mas esta realidade no Marrocos é alterada, em alguns lugares, por projetos sociais que atuam oferecendo oportunidades para algumas mulheres terem acesso a educação e capacitação profissional. O Íntimo Colorido foi até um destes projetos e conheceu a AFER, uma Associação que trabalha na militância política  e pelo empoderamento de mulheres islâmicas rurais.

AFER 

Association des Femmes et Entants Ruraux

A AFER atua com foco na educação de mulheres rurais na cidade de Mékenes, no interior do Marrocos, atuando com foco principal na alfabetização de mulheres islâmicas. Desenvolve oficinas de costura como possibilidade de geração de renda para aquelas que só tinham o argan como opção de geração de renda e cursos de culinária para as  que não podem trabalhar fora de casa. Possui uma participação politica significativa dentro comunidade, organizando ativamente protestos e manifestações na luta a favor de leis contra a violência de gênero, uma realidade infelizmente muito presente no dia-dia das mulheres dentro desta cultura.

FRANÇA

               Centro de Mulheres no Campo de Refugiados Linière

                                            Dunkirk

                          

A partir de 2015, o mundo todo passou a assistir as travessias de barcos de refugiados/as pelo mar Mediterrâneo, normalmente feitas em botes inflados ou embarcações de estrutura precária. Vindos/as da África e Oriente Médio para a Europa, fugiram por conta de conflitos em seus países, guerras, perseguições políticas, ações de grupos terroristas e violação de direitos humanos.

Países como a Turquia e o Líbano receberam tantos refugiados/as quanto ou mais do que a Europa inteira, porém a crise na Europa teve mais repercussão midiática. Os governos europeus tiveram muitas dificuldades para lidar com o influxo intenso de refugiados/as, mas houve uma grande mobilização social por parte da sociedade civil para tentar cobrir o vácuo de suporte deixado pelas autoridades. Movimentos com diferentes inclinações políticas e ideológicas trabalharam de forma independente para ajudar, e o Íntimo Colorido se alegrou por ter sido um deles. A psicóloga social responsável pelo projeto, Priscila Dias, atuou por dez dias no inverno de 2017, junto ao Centro de Mulheres no campo de refugiados Linière, em Grande-Synthe, na cidade de Dunkirk, França.

As mulheres das quais o Íntimo Colorido se aproximou se despediram dos/as amigos/as, da família, do emprego, deixaram a escola dos/as filhos/as e partiram na esperança de encontrar algum lugar onde pudessem dormir sem o barulho de bombas. Atravessaram desertos, passaram por arames, andaram por passagens subterrâneas, enfrentaram soldados, polícias, milícias, contrabandistas, traficantes, patrulhas de fronteiras e correram o risco de serem estupradas... Milhões delas eram mães que andavam no escuro e no frio com suas crianças nos braços, passavam seus bebês por cima de cercas e deram seus/suas filhos/as nas mãos de outras pessoas desconhecidas. Algumas fugiram de seus países grávidas e deram à luz na estrada ou dentro dos campos.

"Há um impacto psicológico gigante nessa parcela de mulheres refugiadas, casos de tentativas de suicídio são comuns entre elas” (Priscila Dias)

Muitas seguem vivendo em campos improvisados pelo governo ou em acomodações inadequadas, vulneráveis a abusos sexuais e exclusão social, sacudindo suas crianças dos braços e cantando baixinho em seus ouvidos cantigas de ninar.

O Íntimo Colorido te convida no vídeo abaixo a assistir o trabalho que realizados  junto a essas mulheres:

A prioridade do Íntimo Colorido, durante o tempo em que esteve no campo de refugiados, foi buscar contribuir para diminuir o sofrimento dessas mulheres e proporcionar acolhimento e auxílios adequados em tudo mais que fosse necessário. Agora, depois dessa experiência, segue com o seu ativismo online, lutando pelo combate à xenofobia e para colaborareducando a população para que não perceba os/as refugiados/as como uma ameaça.

"As mulheres refugiadas não estão em busca somente de teto e comida, mas de segurança, de aceitação e cidadania” (Priscila Dias)

Há crises humanitárias que ganham maior destaque midiático e outras que são ignoradas. A mídia não dá mais tanta atenção à crise dos/as refugiados/as, o que não significa que ela ainda não exista. O importante agora é que os países hospedeiros entendam a importância do seu papel nesse processo e nós, mulheres em situação de privilégios, nos perguntarmos: o que podemos fazer para ajudar?

O projeto Mulheres Ajudando Mulheres do Íntimo Colorido sugere que as atuações junto a mulheres refugiadas sejam no sentido de ajudar a desenvolver estratégias que contribuam com sua entrada no mercado de trabalho e fortalecer sua autonomia como pessoas dotadas de potencialidades:

  • Ajude a informar as refugiadas próximas a sua localidade onde podem ter aulas do idioma local;

  • Busque colocar as refugiadas em contato com organizações que possam oferecer suporte psicossocial;

  • Auxilie as refugiadas a encontrar lugares que ofereçam cursos profissionalizantes;

  • Colabore no processo de validação de diplomas daquelas que já possuem qualificação.

CONTATOS:

 

Para mulheres disponíveis a atuar como voluntárias junto aos campos de refugiados/as espalhados pela Europa acessem: https://helprefugees.org/

Doações:

http://dunkirkrefugeewomenscentre.com

             ÍNDIA

            

        Projeto Lear for Life

               Varanasi

As mulheres da Índia, mesmo antes de nascerem, correm o risco de serem abortadas. Isso se dá devido à obsessão dos indianos por filhos homens, pois os antigos costumes de pagamento de dotes fazem das meninas um fardo para as famílias. Quando crianças enfrentam o estupro e o casamento infantil, pesquisas revelam que 45% casam antes dos 18anos. As meninas de famílias de baixa renda são as que mais estão expostas a essas circunstâncias.

Quando adultas são expostas a inúmeras violências domésticas, o espancamento é algo muito comum de se observar dentro dos lares. A mentalidade é de que cabe a mulher apenas os afazerem domésticos e o papel de mãe. Quando viúvas são discriminadas e não possuem nenhum direito sobre herança ou propriedade. 
Em muitos casos, essas violência tem um nível de aceitabilidade social, há um silêncio político sobre a implementação de leis de direitos das mulheres. 
O analfabetismo e o rígido sistema de castas impacta negativamente a vida me muitas mulheres.

Muitas vivem com menos de 1 dólar por dia, o que representa abaixo da linha de miséria, estabelecida pelas organizações internacionais. Para muitas não há trabalho, não há atendimento de saúde e nem educação para seus filhos. Aquelas que pertencem aos grupos sociais excluídos são extremamente marginalizadas, vivendo sob condições desumanas. Porém iniciativas da sociedade civil buscam criar estratégias de enfrentamento e combate dessas inúmeras injustiças, contribuindo para o empoderamento de muitas dessas mulheres. 

O Íntimo Colorido esteve visitando na Índia, na cidade de Varanasi, a Escola Learn for Life (Aprender para a vida), destinada a ensinar crianças vindas de famílias que vivenciam diferentes níveis de precarização. Os idealizadores desta iniciativa observaram que muitas crianças não frequentavam a escola porque precisavam trabalhar para ajudar no orçamento da família, isso fez com a escola criar projetos de geração de renda para as mães dos alunos. O Íntimo Convida a assistir o vídeo abaixo:

​ÍNDIA

Projeto Ankur Kala

Calcutá

Todos já sabem que 60% da população na Índia vive em más condições econômicas e que a pobreza, juntamente com a dominação masculina, tornam muitas mulheres vítimas de inúmeras opressão e explorações. A maioria trabalham por longas horas e recebem bem pouco. Além dos afazeres domésticas muitas exercem ainda trabalhados agrícolas e vivem em áreas afastadas dos grandes centros. Com poucas oportunidades de acesso a trabalhos remunerados, essas condições forçam muitas dessas mulheres à prostituição.

O projeto Ankur Kala, criado em 1982 pela Assistente Social Annie Joseph, dá suporte a mulheres marginalizadas e indigentes na cidade de Calcutá. Capacitando-as para a confecção de tecidos, o projeto tem tornado algumas dessas mulheres economicamente auto-suficientes. A emancipação financeira possibilita o mínimo de dignidade para muitas delas, proporcionando algum nível de satisfação pessoa e fortalecimento positivo da visão que elas possuem de si, das suas habilidades  e de suas próprias vidas.

A atmosfera da Organização é extremamente agradável, é possível sentir o clima de hospitalidade e comunhão. 

 

Todas produzem coletivamente, se alimentam em círculos, partilham afazeres e responsabilidades relacionadas com a gestão do local.

No momento de se espiritualizarem compartilham juntas de leituras, onde todas se pronunciam. Essa atmosfera democrática e participativa contribui para o bem estar de muitas mulheres que são vindas de históricos de violências e maus tratos. Que encontram nesta qualidade de experiências novas produções de sentidos e significados para suas vidas.

O projeto acompanha a vida de muitas dessas mulheres já fazem anos, o que denuncia seu profundo comprometimento em aliviar o sofrimento real que é a vida de muitas dessas indianas.

Além de trabalhar com a pintura de tecidos, oferecem treinamentos para a confecção de geleias e demais alimentos em conserva. A semente de Ankur Kala tem crescido ao longo dos anos e hoje ela se estabelece como uma Organização referência para treinamento autônomo, tanto em habilidades vocacionais quanto em negócios, para mulheres de baixa renda na cidade de Calcutá. O Íntimo Colorido se alegra em te convidar para assistir o vídeo abaixo com imagens desta linda iniciativa:

CONTATO:
Ankur Kala
http://ankurkala.org/

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